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Curiosidades

Royalty

Por [David Andreatta]

Royalty ou royaltie é uma palavra de origem inglesa derivada da palavra “royal” que significa aquilo que pertence ou é relativo ao Rei, monarca ou nobre, podendo ser usada também para se referir á realeza ou nobreza. Seu plural é royalties.

Na antiguidade, royalties eram os valores pagos por terceiros ao rei ou nobre, como compensação pela extração de recursos naturais existentes em suas terras, como madeira, água, recursos minerais ou outros recursos naturais, incluindo, muitas vezes, a caça e pesca, ou ainda, pelo uso de bens de propriedade do rei, como pontes ou moinhos.

Na atualidade, royaltie é o termo utilizado para designar a importância paga ao detentor ou proprietário ou um território, recurso natural, produto, marca, patente de produto, processo de produção, ou obra original, pelos direitos de exploração, uso, distribuição ou comercialização do referido produto ou tecnologia. Os detentores ou proprietários recebem porcentagens geralmente pré-fixadas das vendas finais ou dos lucros obtidos por aquele que extrai o recurso natural, ou fabrica e comercializa um produto ou tecnologia, assim como o concurso de suas marcas ou dos lucros obtidos com essas operações [1]. O proprietário em questão pode ser uma pessoa física, uma empresa ou o próprio Estado.

No Brasil existem diferentes tipos de royalties, pagos ao governo ou à iniciativa privada. Os royalties pagos ao governo, por exemplo, são relativos à extração de recursos naturais minerais, como minérios metálicos ou fósseis, como carvão mineral, petróleo e gás natural, ou pelo uso de recursos naturais como a água, em casos como represamento da água em barragens hidrelétricas. Cada tipo de royaltie, oriundo da exploração ou extração de determinados recursos, obedece a uma legislação específica, que cobra porcentagens distintas do valor final do produto extraído ou utilizado, e distribui esta renda de formas diferentes entre o Governo federal, os estados e os municípios. Ainda não existe um padrão unificado de cobrança e distribuição de royalties referentes às atividades de extração e mineração no país.

Também existem regimes específicos de royalties para patentes, que seguem o padrão dos acordos assinados na Organização Mundial do Comércio (OMC). Marcas e tecnologias também estão sujeitas a legislações específicas para o pagamento de royalties ao proprietário do bem em questão. No caso de obras de arte ou bens artísticos (músicas e letras musicais, imagens, pinturas, esculturas, roteiros de filmes ou peças teatrais) os royalties podem ser pagos tanto diretamente ao artista autor da obra, como à empresas que adquiriram o direito de reprodução, distribuição e comercialização do bem cultural.

No mercado do franchising o conceito de royalty é muito comum, quando alguém utiliza uma marca de produto ou rede de lojas ou restaurantes, pagando royaltie ao proprietário da marca.

No caso de tecnologias e patentes, por exemplo, a empresa multinacional americana Monsanto cobra royalties dos agricultores que fazem uso das sementes desenvolvidas pela empresa, utilizando tecnologia transgênica para que suas sementes sejam resistentes ao herbicida Roundup, que é fabricado pela mesma empresa [2].

No Brasil, o uso de alguns recursos naturais finitos e de natureza pública, como o uso do espectro eletromagnético por empresas de comunicação, telecomunicações ou radiodifusão, não é objeto de cobrança de royalties.

Bibliografia

  • PIRES, Paulo Valois (2000). A Evolução do monopólio estatal do petróleo. Ed. Lumen Juris: Rio de Janeiro, RJ. 173 p.
  • POSTALI, Fernando A. S. (2001). Renda mineral, divisão de riscos e benefícios governamentais na exploração de petróleo no Brasil. Dissertação de Mestrado, BNDES: Rio de Janeiro, RJ. 119 p.
  • ERTHAL, João Marcello (2006). “Para onde vão os royalties?“, Revista Carta Capital, v.12, n.378, p. 10-18, fevereiro de 2006.
  • NOGUEIRA, Pablo. (2010) “Pobres Cidades Ricas: Riqueza que não traz felicidade“, Revista UNESP Ciência, Unesp, ano 1, n. 5, fevereiro de 2010.
  • PIQUET, Rosélia & SERRA, Rodrigo (orgs.) Petróleo e região no Brasil: o desafio da abundância. Ed. Garamond Universitária: Rio de Janeiro, RJ. 2007.
  • NADAU, Rodrigo Pinto(orgs.) Petróleo e região no Brasil nacional: o desafio da abundância do tré errado. Ed. Garamond Universitária – Master Master: Rio de Janeiro, RJ. 2010.

Referências

  1. ↑ Dicionário Digital Aurélio 5.0.40
  2. ↑ Câmara dos Deputados. “”Comissão discute pagamento de royalties por sementes transgênicas 14/09/2009, Brasília, DF.
  3. ↑ NOGUEIRA, Pablo. (2010) “Pobres Cidades Ricas: Riqueza que não traz felicidade“, Revista UNESP Ciência. [1]. Unesp, ano 1, n. 5, fevereiro de 2010
  4. ↑ PIQUET, Rosélia & SERRA, Rodrigo (orgs.) Petróleo e região no Brasil: o desafio da abundância. Ed. Garamond Universitária: Rio de Janeiro, RJ. 2007
  5. ↑ Câmara dos Deputados. Seção Royalties, Governo do Brasil. Brasília, DF.

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